A IA generativa “fabrica incertezas” para o processo eleitoral e apresenta uma natureza dual: de um lado, oferece novas oportunidades para a participação política, e, de outro, impõe riscos sem precedentes à integridade das eleições e ao discurso público informado.
Robert Downes descreve os efeitos dessa tecnologia sobre a integridade do processo eleitoral: a desinformação em massa, pois reduz os custos e a complexidade para criar e disseminar falsas narrativas em larga escala; o uso de deepfakes audiovisuais altamente convincentes, capazes de difamar candidatos e manipular a opinião pública em momentos decisivos do pleito; e a possibilidade de haver microdirecionamento baseado em modelos de linguagem, que permitem mapear e explorar os receios específicos de cada eleitor, fortalecendo bolhas algorítmicas e aprofundando a polarização do debate democrático.
No Brasil um fator preocupante tem se somado aos descritos por Downes: a interferência e enviesamento de empresas estrangeiras nos resultados gerados por sistemas de IA generativa e o impulsionamento de posts.
A tese do autor reforça a conclusão de que plataformas digitais não são neutras e tampouco atuam como meras intermediárias passivas, pois exercem um papel ativo no direcionamento do fluxo de informações por meio da curadoria algorítmica. A capacidade de interferência de alto impacto constitui um poder dessas plataformas de afetar a esfera pública.
