Houve alguns momentos um tanto alucinados na entrevista de Flávio Bolsonaro (PL) à jornalista Renata Lo Prete na sexta. Falo de alucinação em sentido estrito: uma perturbação mental sem base na realidade. Indagado, por exemplo, sobre o caráter dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, deixou a pergunta de lado e, sem dar seta, começou a transitar na faixa exclusiva dos motoqueiros em São Paulo. Não pareceu que o fez por sagacidade. Ele se perdeu mesmo.
Nada, no entanto, evidenciou tanto o misto de vigarice política e despreparo intelectual como a resposta ao questionamento sobre o seu plano de corte de gastos. Vou transcrever o diálogo, com interrupções para comentários.
Vamos ver.
*RENATA LO PRETE - A sua campanha tem falado bastante dos juros altos no Brasil e lembrando que o governo hoje paga em juros da dívida pública quase o dobro do que gasta em educação e saúde somadas. Na esteira disso, vieram à tona algumas propostas de ajuste fiscal ventiladas pelo seu time de assessores econômicos. Então, para que a gente consiga separar o que é só especulação daquilo que o senhor de fato pretende fazer. Eu tenho três perguntas bem objetivas. A primeira delas: o senhor vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação?
FLÁVIO BOLSONARO - Sim!
RENATA - Posso ir para a próxima?
FLÁVIO - Pode ir para a próxima.
RENATA - O senhor vai desvincular o percentual de reajuste do mínimo, aquele usado para corrigir o valor das aposentadorias?
FLÁVIO - Não!
