Em uma pequena vila nas montanhas do Japão, é possível encontrar pessoas esperando ônibus, trabalhando no campo e ocupando carteiras escolares. Mas há um detalhe que torna essas cenas incomuns. A maioria dessas figuras não é humana, e sim bonecos em tamanho real espalhados pelas ruas de Nagoro, uma comunidade que chegou a reunir cerca de 300 habitantes e hoje tem menos de 30.
Localizada na ilha de Shikoku, na província de Tokushima, a vila ficou conhecida por uma iniciativa da moradora Tsukimi Ayano, que começou a confeccionar espantalhos para representar pessoas e situações do cotidiano. Com o passar dos anos, o projeto transformou a paisagem local e passou a atrair visitantes interessados na história por trás das figuras.
Por que Nagoro tem mais bonecos do que habitantes?
Situada em uma região montanhosa do Vale de Iya, Nagoro passou por um processo de redução populacional ao longo das últimas décadas. A comunidade, que já abrigou trabalhadores ligados à construção de uma barragem e às atividades florestais, perdeu moradores que se mudaram para outras regiões, enquanto parte da população envelheceu.
A transformação começou no início dos anos 2000, quando Tsukimi Ayano retornou à vila depois de viver por muitos anos em Osaka. Ao tentar proteger uma plantação dos pássaros, ela confeccionou um espantalho inspirado na aparência do próprio pai.
O resultado chamou a atenção de quem passava pelo local e incentivou a moradora a criar outras figuras.
