Flávio se deu melhor no debate. Foi moderado e calmo. Lula estava perdido e nervoso, representante de um jeito velho de fazer política e ver o mundo. Alguém que já se pôs à prova no último governo e fracassou.
Para o eleitor, porém, isso importa pouco ou nada.
A maior parte das pessoas vota por sentimento, não compara programas de governo e propostas. O eleitor acredita que determinado candidato representa seus valores e que sua vitória será boa para si e, por extensão, para o país.
É como um torcedor de futebol: quando seu time joga mal, cobra, grita, xinga, encontra uma explicação e não muda de time.
É como um apaixonado que descobre traição. Acredita na explicação, minimiza seu chifre, convence-se de que não acontecerá novamente e não termina a relação.
Com política não é diferente. É por isso que escândalos raramente produzem o efeito eleitoral que os adversários esperam.
As denúncias que se acumulam sobre o governo Lula, agora impulsionadas pela entrevista de Roberta Luchsinger à CNN, no último sábado, dificilmente farão um petista deixar de ser petista.
Da mesma forma, a hesitação de Lula no debate e a segurança de Flávio dificilmente influenciarão o voto do eleitor.
O que está definindo esta eleição, em favor de Flávio, é o sentimento de saco cheio do governo Lula e de sua parceria com a ala de ministros mais nefasta que o STF já teve em toda sua história, contraposto à esperança de renovação representada pela direita.
