Belo Horizonte - Uma mulher que trabalhou durante 57 anos sem receber salários, desde os 12 anos de idade, será indenizada em R$ 65 mil por ter sido submetida a condições análogas à escravidão. A história foi revelada pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) nesta segunda-feira (19/10).
A Justiça reconheceu que a mulher trabalhou para a mesma família entre 1º de janeiro de 1968 e 11 de janeiro de 2025, sem receber salários ou ter acesso a direitos trabalhistas. Com a decisão, ela terá direito ao pagamento dos salários de todo o período, 13º salários, férias, FGTS, aviso-prévio, multa rescisória, adicional por acúmulo de funções e indenização referente ao seguro-desemprego.
Além disso, a Justiça manteve as indenizações de R$ 15 mil por danos morais e R$ 50 mil por danos existenciais, relacionados aos prejuízos que a exploração causou à vida da trabalhadora. Também determinou o registro do vínculo na Carteira de Trabalho.
Doméstica, cuidadora e gerente de hotel
Segundo o processo, a mulher começou a trabalhar aos 12 anos, quando deixou Joaíma, no Vale do Jequitinhonha, para prestar serviços domésticos na casa de uma integrante da família, em Teófilo Otoni. Anos depois, voltou para Joaíma, onde continuou trabalhando para a mesma família.
Ao longo das décadas, trabalhou como empregada doméstica, cuidadora de uma idosa e gerente de um hotel da família.
