Na minha avaliação, o debate de domingo (18) na Band foi lamentável. Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações e provocações, enquanto a discussão sobre o futuro do país perdeu espaço.
Não vejo vencedor numa noite como essa. Cada campanha encontrará uma resposta para comemorar e um vídeo para espalhar. O brasileiro, porém, precisava sair dali com mais condições de escolher seu presidente.
Há quem diga que discutir propostas ficou ultrapassado. Que, na era da internet, vence quem agride melhor e produz o ataque mais compartilhado. Considero essa uma leitura incompleta do eleitor.
A agressão e a traição despertam curiosidade. Mas quem quer um agressor ou um traidor ao seu lado? Aquilo que prende nossa atenção nem sempre conquista nossa confiança.
Existe um limite humano nessa relação. A dignidade, o respeito e a reação diante da humilhação fazem parte da nossa convivência muito antes das redes sociais.
O ataque pode mudar de alvo
O eleitor percebe o tom de voz, a impaciência e a maneira como alguém reage ao ser contrariado. Essa sensibilidade independe de renda ou escolaridade.
Quando uma discussão ultrapassa esse limite, quem assiste pode deixar de comparar propostas e passar a julgar comportamentos. Quem está humilhando? Quem parece acuado? Quem está abusando da força?
Nesse momento, o ataque pode produzir um efeito contrário ao pretendido: despertar solidariedade por quem parece agredido ou mais fraco.
