A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública virou foco de divergências no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O impasse envolve emendas do PT e do PL para reduzir a maioridade penal.
O senador e coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (PT-CE) apresentou uma emenda para reduzir a idade para 16 anos somente a crimes hediondos, para se contrapor à sugestão da oposição, que defende a redução para até 14 anos nesses casos.
A proposta de Camilo dividiu a bancada e até o Planalto. Uma ala defende a iniciativa para minar o discurso da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa a esquerda de “defender bandido” e se apoia no apelo popular da redução da maioridade penal.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou a proposta da pauta, na quinta-feira (15/10), diante da falta de consenso. A discussão também expôs divergências na base governista sobre como responder à pressão eleitoral em torno da segurança pública.
O imbróglio também expôs divergências dentro do PT e entre integrantes da campanha de Lula sobre como reagir à ofensiva de Flávio, que pretende explorar eleitoralmente o posicionamento histórico da esquerda contra a redução da maioridade penal.
Nos bastidores, o episódio evidenciou divergências dentro do próprio campo governista. Em conversa reservada com a reportagem, um integrante da base que atua na tentativa de reeleger Lula, avaliou que Camilo até enfrentou o PT com o aval de Lula, mas acabou derrotado.
