São Paulo, “Eu sou um ponto fora da curva. As coisas acontecem porque têm que acontecer, porque não têm muita justificativa”. É assim que a nutricionista Ana Carolina Moraes, hoje com 44 anos, descreve o período entre 2019 e 2024, quando passou por um tratamento de câncer de mama e engravidou da filha mais nova, Helena.
Ela não tinha histórico familiar da doença antes de receber o diagnóstico aos 38 anos. Os primeiros sinais vieram em 2019, enquanto amamentava o filho Heitor, à época com um ano e sete meses. Três meses depois, foi diagnosticada com um câncer de mama HER2, um dos tipos mais agressivos.
Ana Carolina decidiu encarar o tratamento da “melhor forma possível”. Buscou manter a rotina familiar, especialmente para preservar o cotidiano do filho pequeno.
Ela precisou se submeter à quimioterapia e sentiu os efeitos físicos do tratamento: além da queda de cabelo, passou por uma menopausa química e exames apontaram baixa contagem de óvulos.
A possibilidade de uma nova gravidez ficava cada vez mais distante. “Sempre teve [o indicativo] de que eu não engravidaria nunca mais. Todos os meus hormônios eram de mulher em menopausa”, disse.
Gravidez aos 43 anos
Após o tratamento oncológico, Ana sentiu os efeitos colaterais do uso de tamoxifeno, um remédio voltado ao tratamento de tumores de mama. Com espessamento do endométrio e episódios de sangramento intenso, os médicos chegaram a considerar uma biópsia e, dependendo do resultado, até mesmo a retirada do útero.
