A crescente fascinação por cenários apocalípticos, controle tecnológico e regimes autoritários em produções como O Conto da Aia, Jogos Vorazes e The Last of Us reflete diretamente as crises e tensões que marcam o cenário global contemporâneo. Longe de ser entretenimento passivo, a busca por essas histórias revela como a sociedade lida com suas angústias coletivas e busca respostas para um futuro percebido como incerto e ameaçador.
Em momentos atravessados por incertezas políticas, erosão democrática e transformações ambientais aceleradas, o consumo de ficções distópicas consolida-se como um fenômeno cultural de massa.
Estudos sobre o gênero mostram que a ficção distópica ganha força em períodos de transição e instabilidade social, funcionando como uma lente amplificadora de conflitos reais. Historicamente, essas narrativas projetam os dilemas da época em que foram criadas.
Atualmente, temas ligados aos limites do desenvolvimento ecológico e à degradação do planeta ganharam protagonismo nas telas, substituindo os antigos temores puramente tecnológicos ou ideológicos do século passado.
Para o sociólogo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio Gentile, a emergência ambiental tornou-se um dos eixos centrais desse tipo de narrativa no cenário contemporâneo.
“Acredito que, hoje, é uma das grandes emergências. A literatura, arte e os filmes distópicos, são mais sobre a questão ambiental, os limites do desenvolvimento e recursos”, explica Gentile.
