No ponto de vista biológico, o gênero é uma categoria entre os seres vivos que agrupa espécies parecidas e com parentesco evolutivo próximo. Um exemplo clássico de animais do mesmo gênero são leões, tigres, onça-pintada e leopardos, todos parte do gênero Panthera.
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) está inserido no grupo Chrysocyon, do qual, atualmente, é o único representante vivo. O animal foi evoluindo ao longo dos séculos e se diferenciou tanto de outras espécies que é um exemplar único.
“O fato de o lobo-guará ser o único representante vivo do seu gênero nos mostra que estamos diante de uma linhagem evolutiva bastante isolada”, afirma o professor de biologia Carlos José Gomes, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Especialistas afirmam que os canídeos tiveram origem na América do Norte e migraram para a América do Sul durante os intercâmbios bióticos, um evento ecológico e evolutivo em que organismos conseguem migrar e colonizar novos territórios após a remoção de barreiras geográficas. No caso dos lobos-guará, essa barreira foi o fechamento do istmo do Panamá, uma estreita porção de terra que liga as duas Américas.
Apesar de ser exclusivo, o título único também pode significar riscos para o lobo-guará. Isso porque não há outra espécie que possa substituir sua linhagem evolutiva e, caso o animal seja extinto, não haverá como recuperá-lo, resultando na perda de um patrimônio genético e histórico.
