Lula começou o primeiro debate contra Flávio Bolsonaro, neste domingo (18/10), na Band, como quem precisava encontrar o próprio lugar no palco. Não deu boa noite, olhou para a câmera errada e se atrapalhou com o tempo. O adversário entrou mais organizado, cumprimentou os presentes e dirigiu uma saudação até ao presidente. Foi um gesto de civilidade que chamou a atenção numa família política tão acostumada à truculência. 1 a 0 para o senador.
A primeira impressão favoreceu Flávio. Mas debate não termina na apresentação. Ao longo do confronto, Lula recuperou a firmeza, administrou melhor o relógio, encontrou espaço para apresentar medidas do governo e produziu as respostas mais fortes da noite. Na avaliação desta coluna, venceu por 2 a 1, de virada.
O placar é uma avaliação do desempenho, evidentemente. O efeito eleitoral ainda precisa ser medido. Mas Lula pode ter conquistado parte dos indecisos e dos poucos eleitores que ainda admitem mudar de voto. Era esse o público que os dois precisavam alcançar. Falar apenas para quem já escolheu seu candidato, a uma semana da votação, é desperdiçar uma oportunidade.
Não foi uma vitória sem erros. Lula deu respostas insuficientes, entrou em provocações e poderia ter sido mais preciso em segurança pública. Ainda assim, terminou em condição bastante diferente daquela em que começou. Conversas que tive com integrantes das duas campanhas também reforçaram minha percepção de que o presidente cresceu durante o encontro.
