A divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente ao mês de setembro levantou o debate sobre os rumos da política monetária americana.
A inflação ao consumidor desacelerou de 0,4% em agosto para 0,6% em setembro, em linha com o esperado, mas o avanço de 3,7% em doze meses, acima do consenso de 3,6%, gerou pessimismo nos mercados.
Em entrevista ao CNN Money, o economista Matheus Pizzani, do PicPay, avaliou que o dado precisa ser analisado em camadas. Segundo ele, a primeira grande camada diz respeito ao impacto do preço dos combustíveis, pressionados por um cenário geopolítico adverso.
“Com guerra no Oriente Médio e com o preço do barril de petróleo rodando acima de 100 dólares, isso impacta toda a cadeia de combustíveis dos Estados Unidos é muito importante”, afirmou.
Núcleo da inflação preocupa mercado
No entanto, o pessimismo do mercado não se resume à questão do petróleo. Pizzani apontou que os componentes do núcleo da inflação, a chamada core inflation, também apresentaram resultados negativos.
No segmento de bens industriais, o preço dos automóveis, especialmente os usados, registrou taxa de variação muito superior à dos meses anteriores. Já no setor de serviços, a situação foi descrita como ainda mais delicada. Educação, saúde e serviços financeiros superaram as expectativas do mercado.
