Durante a Dinastia Han, cerca de dois séculos antes de Cristo, alquimistas taoístas iniciaram experimentos com enxofre e salitre. O objetivo original era audacioso: encontrar o lendário elixir da imortalidade.
As primeiras tentativas geravam reações tão violentas que o alerta foi registrado no tratado “O livro da ligação dos três”. A obra trazia avisos explícitos sobre os perigos de manipular a mistura altamente inflamável, cuja reação frequentemente incendiava a casa dos próprios praticantes.
No século IX, já durante a Dinastia Tang, a adição de carvão em proporções precisas deu origem ao que os chineses chamaram de “huo yao” ou remédio de fogo. O elixir da eternidade falhou completamente, mas acabava de nascer a pólvora.
Por ser mais controlável que outros compostos da época, o invento serviu inicialmente para espantar maus espíritos em rituais religiosos, além de encantar o público em fogos de artifício e sinalizadores festivos.
Entre os séculos X e XIII, sob a Dinastia Song, a aplicação militar ganhou enorme força. A substância passou a integrar granadas, catapultas e protótipos de armas de fogo, como tubos de bambu que disparavam pedras, foguetes e canhões primitivos.
Essas primeiras engenhocas bélicas frequentemente utilizavam misturas venenosas compostas por arsênico e mercúrio. A China iniciava uma verdadeira revolução armamentista que em breve alcançaria outras regiões do globo.
