A pergunta era simples. Na sabatina do Jornal Nacional, na sexta-feira, 16 de outubro, a entrevistadora quis saber se Flávio Bolsonaro respeitaria o resultado das urnas em caso de derrota. Ele disse que sim. E, sem tomar fôlego, despejou uma lista de recordes que o governo Lula teria batido, em violência contra mulheres, criminalidade, queimadas, endividamento, empresas fechadas e indústrias fugindo para o Paraguai. Quando foi lembrado de que a pergunta era outra, não se constrangeu. “Respondi e aproveitei para falar mais umas coisas.”
Neste domingo, 18 de outubro, às 20h, Flávio e Lula se enfrentam no debate da Band. Tudo indica que a lista vai voltar, e vale conferir cada número antes. A maior parte deles não se sustenta, e vários dos problemas que ele atribui a Lula estavam lá, iguais ou piores, no governo do pai.
“Recordista em mulheres espancadas”. O recorde não existe, e quem cortou a verba foi Jair
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública não registra esse recorde. As agressões em violência doméstica subiram 2,6% em 2025, alta que preocupa, mas que o próprio Anuário não classifica como recorde. Se o assunto é abandono, a conta pesa do outro lado. No governo de Jair Bolsonaro, a verba federal de combate à violência contra a mulher caiu de 132,5 milhões de reais em 2020 para 43,2 milhões em 2022, um corte de 68%, segundo o Inesc. Em 2021, as Casas da Mulher Brasileira receberam 1 milhão de reais dos 21,8 milhões autorizados.
