Alex Pipkin*
A Revolução Francesa tomou a Bastilha. A Revolução Russa tomou o Palácio de Inverno. A brasileira chegou às estações de metrô da Avenida Paulista.
Durante uma manifestação pró-Lula, acessos ao metrô foram depredados. Entre as imagens divulgadas, uma inscrição anunciava solenemente: “Viva a Revolução”.
Confesso minha perplexidade. Sempre imaginei que revolucionários quisessem derrubar governos. Descobrimos a modalidade brasileira: a revolução para conservar no poder governos envolvidos em intermináveis escândalos de corrupção. Antigamente, a corrupção provocava revoluções. Agora, conta com revolucionários para defendê-la.
A história conheceu revolucionários que enfrentaram exércitos, prisões e exílio. O Brasil inovou. Criamos a revolução da situação.
É um modelo prático. Permite combater o sistema pela manhã e defender seus administradores à tarde, sem nenhum conflito de agenda.
Na Guerra Civil Espanhola, os republicanos gritavam “Não passarão!” diante das forças que pretendiam tomar o poder. Na versão tupiniquim, o grito adquiriu outra finalidade: não deixar sair quem já está lá dentro.
Imagino a rotina do jovem combatente ao voltar para casa depois de um dia duro de luta contra o capitalismo. Guarda a camiseta de Che Guevara, consulta o iPhone, retira o tênis de marca e senta-se à mesa da família burguesa, onde o jantar, evidentemente, está quente e servido.
Entre uma garfada e outra, denuncia a exploração capitalista.
