Djamila Ribeiro levou uma pergunta para o centro da conversa brasileira: quem pode falar, e quem consegue ser ouvido? Seus livros chegaram às escolas, às universidades, às conversas de família. Suas ideias provocaram debates porque tocaram em estruturas de poder que o Brasil se acostumou a tratar como naturais.
Mas a escritora que discute o silêncio imposto às mulheres negras também conta a história da menina que tentava não ser percebida na escola. E encontra, nas cartas à avó Antônia, um caminho para escrever sobre amor, saudade e as mulheres que vieram antes dela.
No Que Dia, programa apresentado por este colunista, nossa conversa é com a filósofa e escritora Djamila Ribeiro. Vamos falar dos livros, das ideias que provocam debates e da mulher poderosa que fez da própria voz um caminho para que tantas outras fossem ouvidas. Veja a entrevista em vídeo abaixo.
Coluna - Djamila, queria começar por uma expressão que saiu do seu livro e entrou nas conversas do país: “lugar de fala”. Muita gente passou a usá-la como se significasse que uma pessoa branca não pode falar sobre racismo, ou um homem sobre a experiência das mulheres. Você diz que não é isso. O que significa reconhecer de onde se fala, e o que muda na conversa quando a gente faz isso?
Djamila - Com a popularização do conceito de lugar de fala, o que é ótimo, também vieram alguns equívocos de interpretação.
