Um estudo envolvendo aproximadamente 60 instituições, publicado este ano na revista Nature Plants, indica que o domínio inicial das espécies invasoras nos ecossistemas é passageiro. Elas se multiplicam com facilidade nos primeiros 10 a 20 anos, aproveitando o sol abundante dos terrenos abertos, mas entram em declínio conforme as árvores nativas crescem e passam a sombrear a floresta.
Encabeçado pela pesquisadora Angelica Faria de Resende, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o projeto tinha o objetivo de entender como as epécies exóticas se comportam ao longo dos anos em matas úmidas e secas. Pesquisadores analisaram dados de mais de 1,5 mil áreas em regeneração nas Américas.
Os dados levantados pela equipe mostram que a interferência é mais expressiva nas matas úmidas - onde, nas duas primeiras décadas, as árvores exóticas chegaram a representar 28% dos troncos e 22% do total de espécies - do que nas florestas secas, onde atingiram 9% em ambos os indicadores.
Segundo Angelica Resende, a preocupação inicial com essas plantas se justifica porque, “ao substituir o papel de uma ou mais espécies nativas e alterar processos naturais, as invasoras podem modificar as redes tróficas e a diversidade funcional, estrutural e biológica na floresta”.
Porém, na avaliação da pesquisadora, o impacto tende a ser parcial ou temporário.
