A poucos dias da primeira eleição para a formação de um novo governo desde o início da guerra, a sociedade israelense está bastante dividida. A criação de um Estado palestino, tema que dividiu a política em dois campos durante décadas, perdeu seu lugar de destaque para a segurança, que está no centro das preocupações israelenses.
A ausência de uma comissão estatal independente para investigar as falhas que permitiram o pior massacre de judeus desde o Holocausto tornou-se mais um foco de disputa política, envolvendo o governo de Benjamin Netanyahu, a oposição e a Suprema Corte.
As campanhas eleitorais têm se mostrado agressivas e pouco objetivas: muito se sabe sobre o que os candidatos sentem (e de que se ressentem), mas quase nada sobre o que planejam fazer caso assumam a liderança do país. A polarização política, que dificulta o diálogo entre diferentes setores da sociedade, tornou-se uma das marcas do momento atual.
A polarização, no entanto, é uma tendência global. O que chama a atenção é o fato de Israel manter sua solidez mesmo neste período, após uma invasão mortífera e desmoralizante seguida pela abertura de sete frentes de guerra, um cenário que levaria à lona muitos países do mundo.
Esse é o paradoxo israelense: é uma sociedade profundamente dividida, mas que demonstra uma extraordinária capacidade de união diante de ameaças externas.
Como explicar essa capacidade de resistência?
