Uma eleição não se decide apenas no confronto de propostas. Decide-se também na relação que o candidato estabelece com o eleitor. Antes de examinar um programa, o eleitor se pergunta: ele entende minha vida? Parece uma pessoa em quem posso confiar? Desperta vontade de aproximação ou de afastamento? Nesse campo, empatia, simpatia e rejeição funcionam como três alavancas da imagem política. Duas podem abrir portas; a terceira pode fechá-las.
Empatia é a capacidade de compreender a experiência do outro, suas dificuldades e expectativas. Na política, significa perceber o mundo a partir do lugar ocupado pelo cidadão. O trabalhador que enfrenta três conduções e a mãe que espera uma consulta para o filho querem mais do que uma exposição de indicadores. Querem reconhecer, na fala do candidato, alguém que sabe o peso de suas preocupações.
Isso exige escuta, respeito e disposição para traduzir dificuldades em prioridades. A frase “sei o que você está passando” perde força quando aparece acompanhada de respostas evasivas. A empatia ganha consistência quando o problema ouvido se transforma em proposta compreensível, com meios de execução. Há diferença entre explorar a dor de alguém diante das câmeras e assumir compromisso com sua solução.
Simpatia pertence a outro plano. É a impressão favorável despertada pelo jeito de falar, pelo sorriso, pelo humor e pela facilidade de convivência. A simpatia pode reduzir a distância entre o palanque e a plateia.
