André Burger*
A redução de 32 mil empresas empregadoras na Argentina desde a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023, tem sido utilizada por eleitores de Lula como demonstração do fracasso da política econômica argentina. O passo seguinte foi transportar o argumento para a eleição presidencial brasileira: uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhada da adoção de políticas semelhantes às de Milei, provocaria aqui a mesma destruição de empresas e empregos.
O número é real. Segundo os registros da Superintendência de Riscos do Trabalho da Argentina, o país tinha quase 520 mil empregadores registrados em novembro de 2023, antes da posse de Milei. Em julho de 2026, eram cerca de 480 mil, uma redução de 6,3%. O que não se esclarece é que esses 32 mil representam a redução líquida do estoque de empregadores e não o número total de empresas fechadas. Durante esse período, empresas encerraram suas atividades, outras foram criadas e algumas podem simplesmente ter deixado de manter empregados registrados.
Contudo, a questão principal é outra. O fechamento de empresas é necessariamente uma demonstração de fracasso econômico? E, se for, por que o mesmo critério não é aplicado ao Brasil?
A Argentina que Milei herdou era uma economia submetida a décadas de intervencionismo, controles cambiais, restrições às importações, impostos sobre exportações, subsídios e gastos públicos muito acima da sua capacidade de financiamento.
