Dizem por aí que George Orwell errou quando escreveu o Nineteen eighty-four, pois era uma distopia tão impossível quanto a Utopia de São Thomas More,lembremos que as palavras vêm de “lugar-ruim” e “lugar-que-não-é”. Infelizmente isso contraria a própria concepção do livro, escrito durante a 2ª Guerra, embora publicado em 1949. Para começar, o ano de 1984 não é, segundo a própria narrativa, a data dos acontecimentos. Para terminar, ah! como eu gostaria de discutir isso por algumas páginas, a denúncia é intemporal, e, embora o velho combatente republicano da Guerra Civil espanhola tenha ficado com horror do stalinismo, ele dizia se referir expressamente a “comunismo e fascismo”: o que ele denuncia é o autoritarismo, é o que chamávamos, quando eu era jovem, Estado concentracionário, ideia influenciada pela Origem do totalitarismo de Hannah Arendt, quando ela tinha na cabeça os campos de concentração.
Esse enorme parágrafo é para dizer que, infelizmente, vemos ressurgir esses universos totalitários e o Big Brother está por (quase) toda parte. Não sei vocês, mas fico pasmo quando os meus pensamentos, eu sei, eu sei, “eles” ainda não leem pensamento, sou eu quem, sem saber, digo para “eles” o que estou pensando, são provocados com alguma coisa relacionada com o livro, de papel, é claro, que estou lendo. E olhem que não uso, pelo menos intencionalmente, IA. Mas há tantos outros controles de nossa vida que é difícil respirar. 1984 aparece todo dia, de uma maneira ou outra.
