A poucos dias do segundo turno, o governo Lula transformou o Orçamento e a legislação em instrumentos de campanha. Não se trata de ajustes debatidos com antecedência, mas de benefícios, renúncias e mudanças aceleradas depois do susto diante da avalanche conservadora vista nas urnas. O recado do momento é claro: a reeleição vale o risco de quebrar o país.
O pacote inclui reajuste no Bolsa Família, perdão de dívidas, Pix de até R$ 5 mil sem devolução, elevação do teto para empreendedores, recursos para universitários e “alívios” nos combustíveis. O cardápio é vasto e o custo entrará no Orçamento de 2027, comprometendo o superávit projetado. A maioria das medidas não estava no texto original e depende do Congresso. O discurso oficial fala em manter o arcabouço e alcançar superávit até 2030. Na prática, porém, o que se vê é expansão permanente sem fonte clara de compensação, um verdadeiro manicômio fiscal.
O caráter eleitoreiro está na cronologia. As medidas de maior apelo saíram depois do primeiro turno, quando Lula percebeu o risco real de ser apeado do poder pelo voto. O governo alega que parte das dívidas é irrecuperável ou vem de fundos específicos. Ainda assim, o momento escolhido coincide com a necessidade de recuperar terreno. Afinal, todos sabem a verdade: não estamos diante de uma política de Estado, mas de uma disputa por votos.
A isso se soma a aprovação acelerada do fim da escala 6x1.
