Toda semana escuto alguma conversa em que RPA (Automação Robótica de Processos) é tratada como tecnologia do passado, algo que “já passou”, agora que todo mundo fala de agentes de IA, modelos generativos e automação autônoma. Entendo de onde vem essa percepção. Mas os dados mais recentes sobre adoção de inteligência artificial nas empresas contam uma história bem diferente: a maioria das organizações ainda não construiu a base que permitiria à IA entregar o que promete e é exatamente essa base que o RPA, bem implementado, já resolve há anos.
O hype está na frente da operação real
O AI Index 2026, do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano da Universidade Stanford, mostra que 88% das organizações pesquisadas já utilizavam IA em pelo menos uma função do negócio em 2025, e que a adoção de IA generativa chegou a 70%. São números expressivos. Mas o mesmo levantamento revela o dado que realmente importa para quem decide onde investir: o uso de agentes de IA, a camada que de fato executa tarefas de forma autônoma, permaneceu em um dígito percentual na maioria das funções empresariais analisadas.
Essa distância entre “testamos IA generativa” e “temos IA operando de forma autônoma e confiável dentro do processo” não é um detalhe. É o retrato de um mercado que correu para experimentar antes de resolver o que sustenta qualquer experimento dar certo em escala.
