O Parque Nacional de Doñana, no sudoeste da Espanha, uma das áreas úmidas mais importantes da Europa, lar de milhões de aves migratórias e de espécies ameaçadas como o lince-ibérico, está secando. Mas o aumento das temperaturas e a seca provocados pelas mudanças climáticas são apenas parte do problema.
Protegida pela Unesco, a região na costa atlântica depende de um aquífero subterrâneo que vem sendo explorado por centenas de poços ilegais. O motivo: o abastecimento europeu de frutas e hortaliças. A Espanha fornece 1/4 dos produtos frescos consumidos na Europa, abastecendo as regiões mais frias do continente com frutas e verduras durante todo o ano.
A escala da extração de água na Espanha é impressionante: em 2016, a ONG WWF Espanha estimou que a área úmida de Doñana abrigava mais de 1.000 poços ilegais e mais de 1.700 reservatórios que irrigavam ilegalmente uma área equivalente a 4.200 campos de futebol.
“Fica mais quente a cada ano. E a água seca muito rapidamente”, disse à DW um morador de El Rocío, cidade ao norte das áreas úmidas.
“Para mim, no dia a dia, a principal questão são os meus animais”, afirmou outro morador, enquanto prendia seu cavalo a uma carruagem turística.
“Preciso buscar água para eles, mas o poço não tem água suficiente para fornecer tudo de uma vez.”
Morangos são lucrativos, mas têm um custo
A região de Doñana era originalmente uma área de caça da realeza, composta por pântanos e lagoas.
