Dizer “não” a um convite, recusar uma tarefa no trabalho ou negar um favor pode provocar desconforto e até culpa. O receio de desagradar alguém, prejudicar uma relação ou ser malvisto faz com que muitas pessoas aceitem compromissos mesmo quando não têm disponibilidade ou vontade de assumi-los.
O comportamento está relacionado à necessidade humana de pertencimento social. Segundo a neurocientista comportamental Ana Carolina Souza, doutora em Neurociência Comportamental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o medo da avaliação alheia é um dos fatores que dificultam a imposição de limites.
“A origem de tudo o que vamos falar aqui reside nessa segunda pergunta, que intimamente nos atormenta, sempre que queremos negar um convite ou pedido que não nos interessa”, afirma a especialista, ao se referir à dúvida sobre o que os outros vão pensar.
Sócia da Nêmesis, empresa de assessoria e educação corporativa em Neurociência Organizacional, Souza explica que a necessidade de aceitação influencia decisões cotidianas. Como seres sociais, os humanos atribuem importância às relações e ao reconhecimento dos grupos dos quais fazem parte.
Nesse contexto, recusar um pedido pode ser interpretado como uma forma de rejeição. O desconforto não está apenas em receber uma resposta negativa, mas também em ser responsável por frustrar as expectativas de outra pessoa.
Para evitar esse tipo de situação, muita gente acaba concordando com solicitações que preferiria recusar.
