A testosterona passou a ser apresentada como solução para quase tudo o que incomoda algumas mulheres na menopausa: queda da libido, cansaço, dificuldade para emagrecer, perda de músculos e até envelhecimento. Mas existe uma distância entre essas promessas e o que os estudos científicos realmente demonstraram.
A testosterona também é produzida pelo organismo feminino. Isso, porém, não significa que toda redução hormonal precise ser corrigida. Sintomas como fadiga, alterações do sono e dificuldades sexuais podem ter diferentes causas, e atribuí-los automaticamente à falta de testosterona pode atrasar diagnósticos e tratamentos adequados.
O tema esteve entre os debates do 20º Congresso Mundial sobre Menopausa, realizado entre 30 de setembro e 3 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro. O encontro, um dos mais importantes eventos internacionais dedicados à saúde da mulher nessa fase da vida, contou com a participação da médica australiana Susan Davis, uma das maiores referências mundiais no estudo da testosterona feminina. Questionada sobre o assunto durante o congresso, a especialista reforçou a importância de distinguir as indicações sustentadas por evidências científicas das promessas de benefícios que ainda não foram comprovados, especialmente em relação ao uso do hormônio para disposição, ganho de massa muscular e rejuvenescimento.
A indicação com evidência consistente é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres na pós-menopausa, natural ou cirúrgica.
