Pergunta que não quer calar: o ministro André Mendonça, relator do “Caso Master” no Supremo Tribunal Federal (STF), nunca soube da troca de favores entre seu colega Kassio Nunes Marques e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, regada a vinhos de boa cepa e garotas de programa?
Tudo isso estava no relatório da Polícia Federal que Mendonça guardou em um cofre de seu gabinete. O curioso é que o ministro extraiu dali informações para destruir a reputação de seu colega de tribunal Alexandre de Moraes, poupando Nunes Marques. Dá-se a isso o nome de “imparcialidade”. Foi por falta dela, inclusive, que o ex-juiz Sergio Moro foi declarado suspeito pelo STF, considerado um juiz parcial ao condenar e prender Lula no caso do Petrolão.
Enquanto pôde, Mendonça escondeu suas próprias ligações com Vorcaro. Ao impichar Moraes por relações espúrias com o ex-banqueiro, hoje preso em uma cela do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o futuro Senado, dominado pela direita, deveria se sentir obrigado a fazer a mesma coisa com Nunes Marques. Vale lembrar o histórico de ascensão de ambos: o primeiro foi promovido a ministro pelo ex-presidente Michel Temer, enquanto o outro foi indicado por Jair Bolsonaro, hoje condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
