A combinação entre a falta de transparência das grandes plataformas digitais e a incapacidade do judiciário de estabelecer regras claras gerou um ambiente de dupla insegurança durante o período eleitoral. A avaliação é de Carlos Affonso Souza, professor de Direito da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e diretor do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade), em entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil.
A situação de incerteza se agravou ao longo do último ano e se intensificou durante o processo eleitoral, afetando tanto a confiança na atuação das plataformas digitais quanto a aplicação das regras eleitorais pelo sistema judicial.
O professor aponta que as empresas de tecnologia têm parcela significativa de responsabilidade.
“Muito dessa insegurança, de não saber como um conteúdo foi distribuído, como funcionam os algoritmos, também existe uma parcela de culpa não desprezível das empresas, que não fizeram da moderação de conteúdo um processo que fosse transparente, informativo e coerente”, afirmou.
Essa ausência de clareza, segundo o especialista, alimentou percepções opostas entre diferentes grupos políticos. Para a direita, as plataformas moderariam conteúdo em excesso, o que seria assimilado à censura. Já para a esquerda, a moderação seria insuficiente, permitindo a circulação de conteúdos considerados danosos e nocivos.
