A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 ex-executivos da Americanas por suspeita de participação na fraude contábil que provocou um rombo bilionário na varejista. A decisão da 6ª Vara Federal Criminal ocorreu na última quinta-feira, 15, e o processo tramita sob segredo de Justiça.
O MPF havia denunciado 13 ex-funcionários em março de 2025. Um deles, o ex-diretor Márcio Cruz, firmou acordo de colaboração premiada em outubro daquele ano. Com o recebimento da denúncia, os outros 12 passaram à condição de réus.
Entre eles está Miguel Gutierrez, ex-presidente-executivo da companhia, apontado pela acusação como líder do esquema. Anna Saicali, José Timótheo de Barros, Anna Christina Sotero, Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Lapagesse, Luiz Saraiva e Jean Pierre Lessa também respondem à ação.
Acusação aponta manipulação de balanços
Os ex-executivos foram denunciados por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Parte deles também responde por uso de informação privilegiada. Segundo o Ministério Público, a antiga diretoria apresentava números falsos ao conselho de administração e ao mercado financeiro.
A investigação identificou duas práticas centrais: o registro de verbas publicitárias fictícias, que inflavam artificialmente os resultados, e a ocultação de operações de risco sacado, usadas para financiar pagamentos a fornecedores.
