O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil contra a diplomata aposentada Vera Lúcia Barouin Crivano Machado, de 80 anos, e o filho dela, Rodrigo Barouin Crivano Machado. A dupla é suspeita de submeter uma empregada doméstica a condições análogas à escravidão em uma residência no Lago Sul, em Brasília. O órgão pede indenização de R$ 800 mil.
Vera Lúcia chegou ao posto mais alto da carreira diplomática, o de ministra de primeira classe, antes de se aposentar, em 2016. Em 1999, teve sua indicação aprovada pelo Senado para ser embaixadora do Brasil na Índia. Também representou o país no Sri Lanka, nas Maldivas, no Nepal e no Vaticano, além de chefiar missões brasileiras na União Europeia.
Diplomata teria negado registro formal
Segundo o MPT, a trabalhadora, de 68 anos, prestou serviços à família por cerca de 35 anos. Mesmo depois de se aposentar, há seis anos, continuou trabalhando sem registro formal, recebendo pouco mais de R$ 4 mil mensais.
Além de cuidar de Vera Lúcia, que tem Alzheimer, a funcionária era responsável pela limpeza e manutenção de uma casa com sete quartos, sete banheiros, jardim e piscina. De acordo com o relato apresentado ao órgão, ela não tinha horários regulares de descanso e precisava permanecer na residência para garantir a assistência à idosa.
O MPT também aponta exploração afetiva, sob o argumento de que o vínculo emocional da trabalhadora com Vera Lúcia teria sido usado para dificultar sua saída do emprego.
