Em 2008, no glossário de O país dos petralhas, Reinaldo Azevedo descrevia uma espécie que, segundo ele, abundava nas redações brasileiras: “TOCADORES DE TUBA - É o colunismo engajado na defesa incondicional do governo petista. O tocador de tuba é o propagandista menos sutil. Suas versões mais amenas podem tocar flauta ou saxofone.” No segundo volume, de 2012, o catálogo ganhava o JEG, o “Jornalismo da Esgotosfera Governista”, feito de veículos e jornalistas que “só existem porque são financiados com o nosso dinheiro”.
Ninguém escreveu com mais gosto contra os “subjornalistas que vivem de dinheiro público”, contra os “prestadores de serviço que se disfarçam de jornalistas”, contra Franklin Martins, o “czar da publicidade oficial”. O inventor da palavra “petralha” fez carreira apontando o dedo para a pena alugada. Era a sua especialidade, quase o seu sacerdócio.
Depois veio a conversão. Quase tão súbita quanto a de Saulo no caminho para Damasco. O caçador de petralhas tornou-se advogado de Alexandre de Moraes, intérprete benevolente de Lula e verdugo da direita, usando contra os antigos leitores o mesmo arsenal de adjetivos que antes reservava aos adversários deles. Durante anos, a guinada foi tratada como enigma psicológico, assunto para biógrafos, ou quem sabe para Ovídio e Kafka.
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e publicadas pelo jornalista Paulo Figueiredo oferecem uma hipótese menos poética.
