Por que, na política, as mulheres precisam estar vestidas como homens para serem respeitadas?
Aliás, não só na política, mas como em qualquer espaço de poder?
Depois de ler o livro Mulher, roupa, trabalho: como se veste a desigualdade de gênero, nunca mais observei essa questão da mesma maneira.
Passei a observar o quanto mulheres que “chegaram lá” precisaram incorporar códigos masculinos não só na maneira de se vestir, mas também de se portar. Acho que o exemplo mais emblemático disso é a ex-Presidenta Dilma Rousseff, com seus tailleurs bem cortados e a voz impostada.
Mas essa adaptação não se restringe às mulheres que ocupam cargos de liderança. Também a vejo naquelas que, mesmo tendo um estilo mais feminino, que privilegia tons claros, estampas florais e cortes fluidos, recorrem ao clássico terninho neutro quando precisam transmitir autoridade e conquistar respeito.
O terno, inclusive, é a primeira roupa que vem à nossa mente quando pensamos no ambiente de trabalho e é originalmente masculno, mas adaptado ao feminino com cortes que não marcam o corpo ou em cores sóbrias, por exemplo.
É como se, para que nossa mente finalmente tivesse espaço, precisássemos nos afastar de um lugar ao qual fomos historicamente reduzidas: o de corpo.
