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É o governo que merecemos?
Há uma tendência, talvez atávica, de o animal humano gostar da servidão (tanto para ser o senhor quanto cativo).
Sobre isso, já escreveu Étienne de la Boétie, humanista francês contemporâneo de Montaigne, um dos ensaístas mais brilhantes do século XVI, pai, aliás do termo “ensaio”.
La Boétie inicia a dialética da servidão já no título de sua principal obra: Discurso sobre a servidão voluntária, pois, aparentemente, como alguém escolheria a servidão?
Por que alguém sacrificaria a liberdade de forma espontânea?
É o governo que merecemos?...2
Considerado, antes mesmo de Bakunin (com seu instigante Textos anarquistas, de 1874), como sendo um livro a favor do anarquismo, la Boétie, faz um questionamento crucial sobre a supressão voluntária da liberdade.
Mas para não deixar a prosa muito comprida, o que la Boétie diz no fim é que a liberdade só é conquistada quando se quer.
Quando ele pergunta de onde um único homem tira tanto poder para controlar a todos, está atribuindo o caráter de voluntariado ao servilismo.
