A missão das Nações Unidas no Afeganistão informou, na quinta-feira (15), que a “polícia da moralidade” do Talibã deteve arbitrariamente centenas de pessoas e submeteu dezenas a maus-tratos entre julho e setembro, alegações que o grupo rejeitou.
A UNAMA (Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão) declarou ter documentado 443 prisões e detenções arbitrárias, além de 97 casos de maus-tratos cometidos pela polícia da moralidade durante esse período de três meses.
Segundo a UNAMA, os incidentes estiveram relacionados a supostas violações de normas sobre o uso do hijab por mulheres, restrições a barbas e estilos de cabelo, a obrigatoriedade de comparecimento às orações e a proibição de música.
O que transformou o Talibã afegão e o Paquistão de parceiros em inimigos?
União Europeia recebe autoridades do Talibã em Bruxelas pela primeira vez
Quando o Talibã retornou ao poder, há cinco anos, em meio à retirada dos Estados Unidos e de seus aliados, o grupo prometeu governar de forma mais liberal do que fizera no final da década de 1990 e início dos anos 2000.
No entanto, segundo grupos de direitos humanos, essas promessas logo se mostraram vazias, dando lugar a restrições abrangentes impostas a mulheres e meninas.
O relatório também registrou quatro assassinatos e 14 detenções arbitrárias de ex-membros das forças de segurança afegãs, apesar de uma anistia geral anunciada após o retorno do Talibã ao poder, em 2021.
