O chamado remap automotivo (prática de reprogramar parâmetros eletrônicos para extrair mais potência e torque) já é comum em motores a combustão. Quando se trata de carros elétricos, porém, a técnica de "envenenar" o carro ainda é novidade e envolve custos mais altos.
Segundo o preparador automotivo Ricardinho ACF, que participou de um projeto experimental com o hatch elétrico Geely EX2 no Festival Interlagos 2026, é possível alterar a calibração para aumentar o desempenho sem comprometer os limites originais do motor. No entanto, o processo exige muito mais cuidado e investimento.
O especialista contou para a Quatro Rodas que a lógica de ajuste dinâmico é semelhante à dos motores a combustão, mas muda a forma como energia e calor são administrados. Em uso severo de curta duração, como uma bateria de drift de 10 minutos, é possível explorar picos de descarga elétrica para obter ganhos imediatos de torque. Porém, isso aumenta a temperatura do sistema, tornando o gerenciamento térmico o principal gargalo técnico.
O que muda no remap de elétricos
Assim como no motor a combustão o aumento da pressão do turbo exige intercoolers mais eficientes, no carro elétrico o remap demanda sistemas de refrigeração reforçados para suportar os picos de energia sem degradar as baterias ou danificar o motor.
Esse cuidado adicional explica por que o custo é maior: além da reprogramação eletrônica, é necessário investir em soluções de arrefecimento e componentes de alta tensão mais robustos.
