Fernanda Bassette
Um banco de amostras biológicas de milhares de brasileiros pode abrir caminho para que, no futuro, o Sistema Único de Saúde consiga identificar pessoas com maior risco de desenvolver determinados tipos de câncer e oferecer estratégias de prevenção e rastreamento mais personalizadas. A iniciativa, desenvolvida no Hospital de Amor, em Barretos (SP), reúne dados genéticos, epidemiológicos e de estilo de vida de pessoas com e sem câncer para avaliar e desenvolver ferramentas de previsão de risco mais adequadas à população.
O projeto já conta com 4.062 participantes e quase 40.000 amostras derivadas de sangue. A meta é alcançar pelo menos 8.000 pessoas (metade com câncer e metade sem a doença) nos próximos 2 anos. Os primeiros tumores estudados são os de mama, colorretal e do colo do útero. O trabalho que descreve a criação e as características desse biorrepositório foi publicado na revista iScience e contou com financiamento da Fapesp.
Embora o projeto represente a criação de um novo biorrepositório focado especificamente em estudos genômicos e medicina de precisão, ele não foi construído do zero. A iniciativa estruturou sua nova base de dados aproveitando a robusta infraestrutura do biobanco institucional do Hospital de Amor, criado em 2006, que já conta com mais de 420 mil amostras biológicas provenientes de mais de 55.000 doadores.
