A entrevistadora fez uma pergunta direta a Flávio Bolsonaro. Se a condenação de Jair Bolsonaro for anulada e o filho vencer a eleição, o pai terá cargo no governo? Antes de responder, o candidato do PL disse que precisava contextualizar. O pai, segundo ele, foi condenado numa farsa, julgado por inimigos, pelo que chamou de “golpe da Disney”.
A expressão resume bem a sabatina de quase 30 minutos no Jornal Nacional na sexta-feira, 16 de outubro. Flávio usou boa parte das perguntas para falar do que queria e respondeu poucas delas de forma direta.
A defesa da família
Para sustentar a tese do “golpe da Disney”, Flávio apresentou três argumentos. O pai teria sido condenado por organização criminosa armada sem que nenhuma arma fosse encontrada. Teria sido acusado de depredar patrimônio público estando a 10 mil quilômetros de Brasília. E teria sido julgado por adversários, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Nem na distância ele acertou. Orlando, onde Bolsonaro estava em 8 de janeiro de 2023, fica a cerca de 6 mil quilômetros de Brasília. Além disso, a condenação a 27 anos não dependia de o ex-presidente estar na Praça dos Três Poderes, porque se baseou no papel dele como líder da trama. E a ideia de que o resultado estava definido antes do julgamento não se sustenta, já que o ministro Luiz Fux votou pela absolvição. Flávio ainda disse que “está demorando” para a condenação ser anulada.
