O anoitecer havia chegado ao bairro de Jabalya, no norte de Gaza, quando um quadricóptero israelense rompeu a calmaria da noite em 1º de novembro de 2024.
Naquela noite, Mohammad Yousef Shalayel estava na casa de seus sogros com a esposa e os filhos, após visitar 16 parentes que haviam se deslocado para a casa de seus pais, nas proximidades. Ele não sabia que aquela seria a última vez que se veriam.
Uma “explosão enorme” abalou a área, fazendo a casa da família Shalayel “desabar completamente”. Quando Shalayel retornou ao local do ataque na manhã seguinte, “todos os quatro andares haviam desabado uns sobre os outros, sobre as pessoas que estavam lá dentro”, relatou ele.
Entre elas estavam sua mãe idosa, dois irmãos e uma irmã, além de seus filhos e parentes por afinidade.
“Nunca vou esquecer… Encontrei restos mortais esquartejados de crianças e mulheres”, disse ele à CNN no final de setembro. “Desabei, mas tentei me manter firme para conseguir recolher os pedaços de carne que estavam espalhados por toda parte.”
Quase dois anos depois, Shalayel não conseguiu retornar, pois, desde então, as forças militares israelenses ocuparam mais da metade do território devastado. Ele afirma que quase todos os seus familiares continuam desaparecidos.
Em meio às ruínas de Gaza, os palestinos dizem estar tentando sobreviver a um conflito sem um fim claro à vista.
