Em abril de 1970, o lançamento de uma missão chamada Dong Fang Hong 1 colocava o primeiro satélite chinês no espaço. Décadas depois, aquele voo revelou-se apenas o primeiro passo para tornar a China uma das maiores potências aeroespaciais da Terra.
O país que começou com um satélite modesto hoje opera sua própria estação espacial permanente, pousou rovers no solo de Marte e conquistou o feito inédito de explorar e trazer amostras do lado oculto da Lua.
Financiada por orçamentos estatais bilionários e isolada do ecossistema ocidental por sanções dos Estados Unidos, a China transformou a exploração espacial em uma vitrine de soberania industrial. Ao desafiar a liderança histórica da NASA e erguer uma infraestrutura espacial autônoma, Pequim estabelece uma rota paralela e independente para o futuro da presença humana no Universo.
O nascimento de uma potência nas sombras
A história da exploração espacial chinesa começa com uma peculiaridade quase irônica: o homem que tornou o programa possível viveu durante anos nos EUA e ajudou a fundar o próprio Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA. Qian Xuesen, um brilhante matemático e especialista em aerodinâmica nascido em Hangzhou, era uma das mentes mais brilhantes da ciência de foguetes do pós-guerra mundial.
