André Aidar*
Em 25 de outubro, o produtor rural brasileiro vai às urnas com uma pergunta muito concreta: qual projeto oferece melhores condições para planejar as próximas safras? Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno com programas de governo que dedicam espaço relevante ao agronegócio, o que, por si só, é uma boa notícia para o setor. Como advogado e pesquisador do agronegócio, li as duas propostas com atenção e compartilho aqui a minha leitura.
Começo pelo que aproxima os dois candidatos. Ambos os planos tratam de seguro rural, irrigação, produção nacional de fertilizantes, tecnologia e conectividade no campo, biocombustíveis, comércio exterior, regularização fundiária e rastreabilidade. Há, portanto, um consenso mínimo sobre a agenda do setor, o que revela a maturidade que o agro alcançou no debate público nacional. As diferenças estão nas ênfases e nos instrumentos escolhidos por cada candidato.
O programa do presidente Lula aposta na ampliação e na diversificação dos instrumentos de política agrícola. No crédito, propõe continuar fortalecendo o crédito rural, ampliar os recursos do Plano Safra com juros compatíveis com a rentabilidade da atividade, priorizar o financiamento de máquinas, irrigação e tecnologias de produtividade e diversificar as fontes de recursos por meio do mercado de capitais e dos títulos do agronegócio.
