O chamado “imposto do pecado” pode pressionar o caixa de importadores e levar empresas a rever preços, estoques e contratos logísticos. Com a entrada do Imposto Seletivo prevista para 2027, ainda com alíquotas indefinidas, negócios que dependem de compras internacionais terão de avaliar o impacto da tributação sobre o custo das mercadorias e a necessidade de capital de giro.
O IS foi criado pela reforma tributária para desestimular o consumo de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A cobrança alcança produtos nacionais e importados definidos em lei, como bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e produtos fumígenos. O efeito sobre os custos dependerá do produto e da tributação aplicável.
Para Renan Werneck, sócio-fundador da Interface Business, o planejamento tributário precisa acompanhar as decisões comerciais desde a negociação com fornecedores internacionais. Em entrevista, ele afirma que o importador precisa calcular quanto desembolsará para trazer a carga e por qual preço conseguirá vendê-la.
“Quando entra uma mudança tributária, a pergunta é muito concreta: quanto dinheiro será necessário para trazer a mesma carga e por quanto será possível vendê-la?”, diz Werneck.
Uma eventual alta no custo de importação pode exigir mais recursos para comprar o mesmo volume de mercadorias. As empresas também podem reduzir pedidos ou renegociar condições comerciais. O impacto sobre o capital de giro dependerá dos tributos incidentes e das regras de transição.
