A exemplo do pai, o que Flávio Bolsonaro diz não se escreve, e, quando se registra, é preciso retificar, tamanha a quantidade de dados falsos ou equívocos. Isso ocorre por ignorância? Em parte, sim; no mais, não. Flávio mente deliberadamente para tirar vantagem de suas declarações. Às vezes, obtém êxito, principalmente diante de entrevistadores desleixados ou complacentes. Não foi o caso de ontem, ao ser arguido pela jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo.
Sem perder a elegância em momento algum ou parecer ranzinza, Lo Prete rebateu Flávio sempre que julgou necessário. E se, no início da transmissão, ele se portava como se estivesse em casa, descontraído, senhor da situação, aos poucos foi perdendo o controle, passando a franzir a testa e a tentar ocultar seu nervosismo. Deixou a impressão de que ansiava para que o momento terminasse antes do previsto.
Interrogado sobre se reconhecerá os resultados das eleições mesmo que as perca, Flávio respondeu de maneira pouco convincente: “Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Eu tenho a convicção de que o Brasil já escolheu a mudança. No primeiro turno já escolheu a mudança e, no segundo turno, vai continuar escolhendo a mudança”. A pergunta fazia sentido. Seu pai tentou se reeleger dentro das regras do jogo. Uma vez derrotado, quis dar um golpe.
