A relação da comunicadora Iara Rodrigues*, 26 anos, com os aplicativos de relacionamento é marcada por uma profunda ambiguidade. Ao mesmo tempo que sente necessidade das plataformas para conhecer pessoas, a catarinense detesta o processo de se deparar com pretendentes no ambiente virtual. Ao longo dos anos, a jovem desenvolveu um complexo protocolo de segurança antes de aceitar ver pessoalmente qualquer rapaz com quem trocou mensagens.
“Quando percebo que a conversa no aplicativo está indo para a sugestão de um encontro presencial, levo a pessoa para outra rede social, normalmente o Instagram. Acho o WhatsApp muito íntimo. É como se fossem etapas”, relata. Os passos de Iara incluem pesquisas no Google e no LinkedIn, escolha estratégica do figurino, uso de transporte em que a placa do carro não seja identificada e a checagem rigorosa do local do encontro, preferencialmente um food hall movimentado e que ela já conheça bem.
A experiência de Iara traduz um fenômeno coletivo: a necessidade de criar protocolos rígidos de segurança para conseguir encontrar pessoalmente quem conheceu na internet. Esse movimento é reflexo da migração das relações amorosas para o ambiente virtual (em busca de uma falsa sensação de segurança), combinada aos altos índices de violência de gênero que atingem o mundo físico.
