O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil contra uma diplomata aposentada e o filho dela por manterem um empregada doméstica em condições de trabalho análogo a escravidão, em uma casa no Lago Sul, no Distrito Federal. A trabalhadora de 68 anos prestou serviço para família por mais três décadas e continuou trabalhando, sem vínculo empregatício, mesmo após se aposentar.
Segundo a denúncia, Rodrigo Barouin Crivano Machado deixou a mãe, Vera Lúcia Barouin Crivano Machado, de 80 anos, aos cuidados da funcionária. No entanto, a mulher sofre de Alzheimer, o que impedia que a vítima deixasse a residência.
Antes da aposentadoria, em 2016, Vera Lúcia chegou a cargo mais alto da carreira de diplomata, o de ministra da primeira classe. Em 1999, o Senado Federal aprovou a indicação dela a embaixadora do Brasil na Índia. Ela teve passagens também pelo Sri Lankas, Maldivas e Nepal.
Em 2004, passou a chefiar a missão diplomática no Vaticano, na Santa Sé. Ela também chefiou missões pelo Brasil na União Europeia (UE).
O filho dela, o advogado Rodrigo Barouin Crivano, também foi citado na ação. De acordo com o MPT, ele passa maior parte do tempo no Rio de Janeiro (RJ), enquanto a doméstica ficava responsável pelos cuidados com Vera, que necessita de acompanhamento constante.
A reportagem tentou contato com Rodrigo Barouin Crivano Machado, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
