O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil contra uma diplomata aposentada e o filho dela por manterem um empregada doméstica em condições de trabalho análogo a escravidão, em uma casa no Lago Sul, no Distrito Federal. O MPT solicitou uma indenização de R$ 800 mil a vítima, uma idosa de 68 anos de idade.
Segundo a denúncia, Rodrigo Barouin Crivano Machado deixou a mãe, Vera Lúcia Barouin Crivano Machado, de 80 anos, aos cuidados da funcionária. No entanto, Vera Lúcia sofre de Alzheimer, o que impedia que a vítima deixasse a residência. A mulher, também idosa, não tinha direito a férias, aos finais de semana e passava meses sem ir a casa em que mora, em Valparaíso de Goiás, entorno do DF. Enquanto isso, Rodrigo passava a maior parte do tempo no Rio de Janeiro, onde possui residência, e voltava a Brasília poucas vezes.
Além dos cuidados com a idosa, a trabalhadora também era responsável pela manutenção e limpeza da casa, que tem sete quartos, sete banheiros, cozinha, sala, garagem, um salão em cima, além de jardim e piscina. Em seu relato ao MPT, a vítima contou que trabalha há cerca de 35 anos na residência da família e que mesmo após a aposentadoria, há seis anos, continuou prestando serviço no local, sem qualquer vínculo empregatício, por um salário de pouco mais de R$ 4 mil.
Dentre as atribuições que recebia, ela precisava dar banho em Vera, já que essa não tinha autonomia devido ao Alzheimer, e cuidar das outras partes da casa.
