Você quer chamar uma pessoa, mas fala o nome de outra. Vai escrever uma mensagem e troca uma palavra, mudando o sentido da conversa. Depois do constrangimento, pode surgir a dúvida: foi apenas uma distração ou havia algo por trás do engano?
Na psicanálise, tropeços involuntários na fala, na escrita, na memória ou nas ações podem ser investigados como atos falhos. A interpretação considera que desejos e conflitos inconscientes, dos quais a pessoa não tem plena consciência, podem aparecer no meio de uma intenção consciente.
Isso não significa que cada palavra trocada tenha uma tradução pronta. Para compreender o episódio, é necessário considerar o momento em que aconteceu, a história da pessoa e as associações que ela faz ao falar sobre o ocorrido.
Ato falho x lapso freudiano
Embora as expressões sejam frequentemente usadas como sinônimos, a psicóloga clínica Jéssica Prestes Correia Van Kaick, especialista em Psicanálise pela PUC-RS, explica que o ato falho reúne manifestações mais amplas.
O lapso freudiano, na distinção apresentada pela especialista, corresponde aos enganos involuntários na fala ou na escrita. “Todo lapso é um ato falho, mas nem todo ato falho é um lapso”, explica Jéssica.
O ponto central da investigação é compreender se o episódio tem um sentido particular para quem o viveu. Além de trocar palavras, os episódios investigados na análise podem envolver:
Esquecimentos: não lembrar temporariamente um nome ou uma intenção, como algo que pretendia fazer.
