Quando questionado na entrevista à Rede Globo sobre punição aos atos de violência durante o 8 de janeiro, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) levou a conversa para um tema absolutamente distinto: uma suposta perseguição do governo Lula (PT) ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que resulta na negativa da instalação da Faixa Azul em novas vias, prejudicando os motoboys.
A polêmica vem desde 2024. Nunes quer autorização para instalar uma faixa exclusiva para motociclistas em mais vias da cidade e, por se tratar de um programa piloto, não previsto na legislação nacional de trânsito, depende de autorização do Ministério do Transporte, que analisa a efetividade da medida.
A coluna mostrou que, ao final do período de testes de dois anos, a SPTrans, órgão municipal de trânsito de São Paulo, produziu um relatório técnico, enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que mostra que houve aumento no número de mortes, acidentes e vítimas não fatais nas vias onde houve instalação da Faixa Azul.
O relatório compara dados de “antes” e “depois” da instalação da Faixa Azul em cada via, até 31 de dezembro de 2025. O levantamento oficial da prefeitura aponta que as vias com Faixa Azul tiveram 57 mortes antes da instalação da faixa exclusiva e 68 depois, um acréscimo de 19,2%.
