São Paulo, O que era um hábito familiar transformou a rotina de centenas de crianças acolhidas em abrigos de São Paulo. A partir da leitura que fazia para os próprios filhos em casa, a juíza Marina Freire, do Tribunal de Justiça do Estado (TJSP), idealizou o projeto Leitura Amiga, que teve seu primeiro livro lançado, feito inteiramente por crianças, na tarde desta sexta-feira (16/10).
A ideia surgiu no começo da pandemia, há seis anos, período que a magistrada descreveu como “horrível”. “Se as minhas crianças, que têm todo acolhimento, todo amor, estão sofrendo, eu fiquei imaginando as crianças dos abrigos”, disse Freire, que atuou durante sete anos na Vara da Infância em Garça, no interior de São Paulo.
Vendo os efeitos que a leitura noturna causava em seus filhos, a juíza resolveu causar a mesma sensação em crianças acolhidas em abrigos por todo o estado. “Pensei: ‘poxa, eu podia levar esse momento de aconchego pras crianças’”, disse ao Metrópoles.
Freire criou uma live para ler livros aos pequenos. A transmissão ao vivo, ela disse, permita ver as reações e expressões das crianças. Logo, ela passou a contatar mais abrigos que aceitaram integrar o projeto.
A adesão foi grande. As crianças engajaram e pediam pelas leituras. “Era o momento de alegria delas”, lembra.
Quando passou a divulgar o Leitura Amiga nas redes sociais, pessoas de todo o Brasil se voluntariaram para ler aos pequenos, até que o projeto chegou a contar com 180 leitores voluntários.
