Artigo de Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá Esporte Clube
O futebol brasileiro vive um momento de crescimento econômico sem precedentes. Segundo levantamento da Sports Value, os 20 clubes com maiores receitas do país movimentaram cerca de R$ 15 bilhões em 2025, o maior volume já registrado pelo setor. Ao mesmo tempo, os custos relacionados ao futebol alcançaram R$ 11,6 bilhões, enquanto o endividamento acumulado chegou à marca de R$ 16 bilhões.
Os números mostram que o desafio já não está apenas na geração de receitas, mas na capacidade de transformar esse crescimento em equilíbrio financeiro. Em um ambiente cada vez mais profissionalizado, arrecadar mais precisa vir acompanhado de planejamento, controle de gastos e compromisso com as obrigações assumidas.
Essa discussão ganha ainda mais relevância quando observamos a realidade da Série B. Com receitas significativamente inferiores às da elite nacional, os clubes possuem menor capacidade de absorver erros de planejamento, atrasos de recebíveis ou investimentos incompatíveis com sua realidade financeira. Em muitos casos, uma decisão equivocada pode comprometer não apenas uma temporada, mas anos de trabalho.
Não por acaso, a CBF avançou na criação do Sistema de Sustentabilidade Financeira, iniciativa que busca estabelecer critérios de controle econômico e governança para os clubes brasileiros.
