Tenho visto críticas à pesquisa realizada pela More in Common Brasil e pelo Grupo Passagens, da UFRJ, sobre discursos eleitorais em missas e cultos. Como cristão, pastor e magistrado, sou defensor da liberdade religiosa e considero importante esclarecer alguns pontos.
Pelo que li, os pesquisadores analisaram celebrações disponibilizadas pelas próprias igrejas no YouTube. Não houve invasão de templos, interrupção de cultos ou impedimento à prática da fé.
Também não se tratou de fiscalização estatal ou de uma investigação destinada a denunciar igrejas à Justiça Eleitoral. O objetivo declarado foi compreender como a política eleitoral aparece nas celebrações religiosas.
Não vejo nisso violação da liberdade religiosa. Igrejas podem ser estudadas, assim como quaisquer outras instituições.
Defender a liberdade de culto não significa impedir a observação e a análise de manifestações públicas.
O mais interessante, porém, é que os resultados da pesquisa foram amplamente favoráveis às próprias igrejas.
Foram analisados 7.456 cultos e missas. Em apenas 3%, os pesquisadores identificaram manifestações que classificaram como propaganda eleitoral.
Já os discursos cívicos, incentivando o voto consciente, o respeito ao próximo e o combate à polarização, foram cinco vezes mais frequentes.
Esses resultados contrariam a acusação generalizada de que as igrejas seriam currais eleitorais e de que pastores e padres manipulam sistematicamente seus fiéis.
